5 de fevereiro de 2020
24 de janeiro de 2020
8 de janeiro de 2020
30 de junho de 2019
Soneto à Aniversariante
Já nasci nas tuas acolhedoras terras
por isso carrego na alma as tuas cores.
Te dou hoje o que melhor dão as primaveras,
porque por ti só sei morrer de amores.
Por ti, minha cidadezinha amada e querida,
há no céu os bonitos pássaros cantores
a cantarem os parabéns por mais vida
enquanto o vento da manhã te joga flores.
Salitre, terra que enfeita toda a Chapada
com sua vastidão, a natureza de amor se inflama
em perfeita e extensa arquibancada.
Dos céus um mar de alegria se derrama
e está em festa, ó cidade bravia e amada,
pois hoje canta e ri todo aquele que te ama.
por isso carrego na alma as tuas cores.
Te dou hoje o que melhor dão as primaveras,
porque por ti só sei morrer de amores.
Por ti, minha cidadezinha amada e querida,
há no céu os bonitos pássaros cantores
a cantarem os parabéns por mais vida
enquanto o vento da manhã te joga flores.
Salitre, terra que enfeita toda a Chapada
com sua vastidão, a natureza de amor se inflama
em perfeita e extensa arquibancada.
Dos céus um mar de alegria se derrama
e está em festa, ó cidade bravia e amada,
pois hoje canta e ri todo aquele que te ama.
13 de junho de 2019
O TEMPO DA VIDA
O tempo da vida
é tão pouco para
nos perdemos no
mar das coisas fúteis.
É tão pouco para
nos enveredarmos
no caminho das
coisas inúteis.
O tempo da vida
é tão pouco para
querermos mal
aos outros, para
não sermos irmãos,
para não darmos a mão.
É tão pouco esse tempo
que gastamos e que,
às vezes, tornamos
ainda mais gasto.
De caprichos
a vida se esgota.
O tempo da vida
é tão pouco para
não olharmos,
ao menos de relance,
quem por nós passa.
E, de tão pouco,
esse tempo escorre
feito fumaça.
O tempo da vida
é pouco, pouco para
não amarmos, e esse
tempo em que não se
ama degela, deságua.
É tempo que se acaba
em vazio, em solidão,
em mágoa.
O tempo da vida
é tão pouco para
envenenarmos o
coração de raiva,
de preconceito,
de racismo.
Assim, o tempo
é pouco, é abismo.
O tempo da vida
é tão pouco para
ignorarmos Deus,
para não sairmos de
nós mesmos e
sermos a medida
de tudo.
O tempo da vida
é tão pouco porque
nós o fazemos
sempre escasso,
e talvez quando
formos nos dar
conta do que
realmente importa,
não haverá mais tempo
de sermos vastos.
Mas nós podemos
segurar um pouco os
ponteiros do tempo,
que anda em
ligeira marcha.
O tempo da vida,
que é pouco, e
inutilmente se gasta.
29 de maio de 2019
O nobel foi pra... Maria
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país que não tem o plano de assumir a educação como prioridade muito menos fará
isso com a cultura. É o que primeiro reflito ao assistir ao as decisões tomadas
pelo novo governo. Mas com felicidade sei que o governo não é só o presidente,
nem só o ministro, e que além do governo há o povo de boa vontade e de
compromisso, e esse povo sabe e conhece educação e faz cultura.
E nesse final de semana foi o que presenciei,
através de uma ação muito grandiosa promovida pela secretaria de cultura da
cidade de Salitre, num evento que homenageou os leitores da cidade, num total
de 40. Durante o ano anterior, eles se destacaram por mais terem lido as obras
disponíveis na biblioteca municipal.
E lá estava Maria, Maria e seus meninos, que
estavam entre os homenageados.
Ela é uma senhora, leitora assídua da
biblioteca. Um dia se deu conta de que, para ajudar os seus meninos nas tarefas
da escola, decidiu-se a voltar para a sala de aula, matriculando-se na educação
de jovens e adultos. E, como se não bastasse, fez uma carteirinha de leitor na
biblioteca, e começou a pegar livros para ler.
Na casa de Maria muita gente lê, começando por
ela. Tem coisa mais bonita?
A biblioteca ofereceu aos leitores pequenos
mimos: um certificado de destaque, posto numa bem pintada réplica de madeira,
juntamente com um copo. Enquanto as autoridades iam entregando os mimos às
crianças e suas famílias, Maria mesma entregou aos seus meninos, e posou bem
para a foto.
Maria é exemplo. Exemplo de que a idade ou a
condição social não é impedimento para a leitura. Maria é retrato da ideia
postada essa semana na rede social, que trazia o nome da escritora Ana Maria
Machado, e que dizia: “O que leva uma criança a ler é o exemplo”. Mas nesse
caso, as crianças de Maria é que lhe deram o exemplo.
Mas Maria é exemplo para as outras mães e para
as outras famílias, pois estas precisam ornar sua rotina com livros e palavras.
Precisam descobrir que ler é bom, é prazeroso e traz alegria.
Maria é grande, porque grande não é quem tem
poder, e sim quem deixa entrar coisa boa na cabeça. Maria sabe que leitura
educa, sabe que seus filhos serão grandes através do que encontram nos livros.
Por isso o nobel de leitura vai para Maria. E todos nós precisamos seguir os
passos dela; todos nós precisamos viajar livro adentro.
25/5/2019.
24 de maio de 2019
CRÔNICAS DA CIDADE - Maria da terra do boi
![]() |
| Foto: Verônica Aguiar |
Meu
nome é Maria Grosso. Mas Grosso é só nome, porque meu xerém é fino.
Quase sempre vivi por aqui, aonde o boi
chegou. Meu tio foi quem deu nome a este lugar, mia fia! Mas vambora, que minha
memória é só fiapo.
Quando vim para cá, em meados de não sei
quando, aqui era um pedaço de chão muito bom, porém difícil, mia fia! De onde
eu vim? Sei de nada não, eu não estou boa não... Maria, tu sabe? A tramontana
me carregou para cá, é isso que importa.
Tá chovendo, mia fia. Ô chuva boa!
Pois é. Nessa terra do boi vinha gente
daqui e dali, dessas quebradas de mundo de meu Deus. Vinha dançar a lata, no
meio do terreiro... a gente botava um fogo, pra fazer luz na noite, e aí se
agarrava homem com mulher. Aí a gente cantava aquela canção... Maria, como era
que cantava?
Olha os relâmpagos! Virgem Maria!
Chega o povo por aqui, na minha casa, e
quer saber os causos, as histórias. E eu, com a mente já feito uma cumbuca, vou
narrando as coisas de que me lembro. De como um boi, tangido por seu dono, saiu
do lado do Taque Novo, e veio parar aqui para beber a água da lagoa e ouvir os
cantos da mãe d’água. Perguntam sobre as lendas, sobre o reisado, mas não me
perguntam
sobre
o que é ser negro, ou meus ouvidos estão mudos?
Meu nome é Maria Grosso, Maria da terra
do boi. Negra e idosa. Negra. O que é ser negra? O que é ter essa pela tão
exagerada de melanina? Negra, negra até morrer! Porque essas coisas que a
natureza dá não se acabam, não fogem pelos caminhos como fugiu o boi de seu
dono.
Maria, se acabou o relâmpago?
O que é ser negro num país como o nosso,
ainda cheio de senzalas em que as correntes são o preconceito e o racismo? O
que é ser negro numa cidade pequena, como esta, onde esses males ferozes também
fazem morada? Males terríveis, que não morrem com o chá de mastruz que Maria
arrancou aqui em casa.
Querem que eu diga sou negra? Eu sou
negra. Negra. Mas pensam que é fácil dizer tal coisa? É não. É estranho que uma
comunidade não queira se reconhecer como negra, como quilombola? Venha ser
negro e me diga! Venha ter a pele que tenho. Pele que Deus me deu.
Meu nome é Maria Grosso, filha do povo
que lutou para sobreviver – e ainda luta, e que foi e é importante na
construção do país. Povo que foi roubado de seu chão e que aprendeu a ser
brasileiro a duras penas.
Meu nome é Maria Grosso, e preciso
aprender a dizer sem tristeza, em coro com o meu povo, “eu sou negro”. Me
ensinem! Me ensinem valorizando minha gente, a sua cultura, os seus ritos, as
suas histórias, desvendando o seu imaginário... Me ensinem! Olhando para a
nossa condição atual, enxergando também as nossas necessidades, não esquecendo
de ver a nossa pobreza material, que contrasta com a nossa riqueza cultural.
Porque quando dissermos, juntos, “eu sou negro!”, com alegria e sem vergonha,
todos nós vamos dançar juntos o reisado e vamos olhar para o presente com mais esperança,
sabendo que no futuro os nossos descendentes viverão melhor do que nós. Nós
sonhamos um dia não ter que baixar a cabeça por causa da cor da nossa pele.
Isso não depende só de nós.
Meu nome é Maria Grosso. Negra. Idosa.
Mulher. Maria da terra do boi.
Muito prazer!
13 de maio de 2019
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