29 de junho de 2016

Que sorte a minha


Já não havia em mim vontade de escrever crônicas tem um tempo, por crer não valer a pena, quem sabe. Mas o destino do escritor – ou do semi-escritor, para não ser convencido aos olhos do leitor – é, quando se vê motivado por uma tal questão, enredar uma linhas. Quer-se fugir a própria sorte, sem êxito em consegui-lo.
A propósito, esta cronicazinha trata da sorte. O que é sorte? Se representa aquilo que, de todo modo, está a não depender de mim, sorte é algo que não tenho, que não me acompanha de forma frequente, ou que existe sem nenhuma intensidade em meu viver. Essa semana eu confirmei isso.  No sábado fiz uma prova de vestibular, até com expectativa razoável de que passaria, mesmo sem estudar porque gosto da área para a qual iria concorrer. Ocorreu-me, entretanto, a obrigatoriedade de responder a questões de meu nenhum interesse, de matérias sem sal para mim, exigindo não zerar em nenhuma delas (não digo o nome das matérias para não constranger-me perante os leitores). Numas das matérias, respondi a duas questões pensando as ter acertado e as restantes assinalei uma letra só. Ao aferir depois, no gabarito, percebi logo o desastre cometido: nenhuma das questões tinha como resposta correta a letra assinalada. E para completar, as duas outras também estavam erradas. Muita sorte, não?
A sorte tem muito a ver com o destino, com o acaso. Do ponto de vista Maquiavélico é ela, chamada de fortuna, que rege metade da vida dos homens, não podendo sofrer interferência nenhuma, pois só a outra metade da vida permite a ação humana, entendida como liberdade. Mas há outro pensar, mais atual, e este define sorte como algo que exige a pessoa se preparar para quando a ocasião ideal aparecer ela se dar bem. É muito diferente do ocorrido a mim.
Sorte, mesmo, parece que não a possuo. Do contrário, eu, desde sempre, quis aprender a driblar a falta de sorte, assim como o goleiro, muitas vezes, atira-se à bola ao invés de precisar adivinhar qual o rumo dela, ainda que corra seus riscos. A falta de sorte, porém não me fez padecer; do contrário, deu sentido ao meu estar no mundo, pois tão ruim quanto não ter sorte é tê-la em excesso.

29 de junho de 2016



2 comentários:

  1. Gostei! Sou um amante da literatura, gosto do exagero que a literatura emite nos textos, a forma como conduz a linguagem, é realmente um mundo fantástico e nítido da realidade.

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