1 de maio de 2020

POEMA DE QUARENTENA


Há turbulência por todos os lados: no que você
tem que fazer, mas não consegue, com medo do que pode vir.
Tem uma turbulência muito grande, mas você não vê.
Dentro do seu coração há um mar agitado,
com ondas perigosas que querem lhe
carregar para o fundo.
Há uma turbulência exagerada no seu silêncio,
porque você tem medo do que já aconteceu
com você e com os seus.
Você se deu conta de que a sua vida parou,
embora não pareça.
Tem medo de enlouquecer, de não ser sobrevivente.
Não consegue esperar, porque desaprendeu
a dominar o tempo e a olhar as horas nos ponteiros.
Aquele tempo que você tanto queria, agora tem,
mas não sabe como gastá-lo.
Parece calmo o tempo. A passagem dos dias
esconde a agitação.
Tem medo, como uma criança tem do escuro.

Tenho um grande desejo que você, na quarentena,
aprenda a criar outras formas de viver.
A sobreviver.
A se esconder no barco até a agitação passar.
A criar algumas alegrias que possam, por instantes,
fugir da turbulência.
Criar defesa no que lhe deixa forte: Deus, arte, natureza...
Aprenda que tudo passa e que nesse meio tempo
você só tem que sobreviver, com fé e esperança.

Todo barco tem como paradeiro a água serena.

Sobreviva!

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